A energia solar já é utilizada por mais de 30 mil residências e empresas no Brasil

Mais de 30 mil casas e empresas brasileiras produzem toda a energia de que precisam. Como isso acontece? Por meio do uso de placas solares. Uma fábrica de roupas em Salvador (BA) gastava R$ 3,5 mil por mês, por exemplo, com energia elétrica, um peso no orçamento.

Desde que a empresa passou a gerar a própria energia com painéis solares, esse custo despencou para R$ 70, que é a taxa mínima de consumo na capital baiana. Em quatro anos, o investimento de R$ 150 mil no sistema foi recuperado.

“A fábrica se torna mais competitiva, visto que a gente tem um custo menor com relação ao concorrente. Então, naturalmente vale a pena”, diz o dono da fábrica, Hari Hartman.
As pequenas indústrias foram um dos primeiros setores a investir na geração própria de energia com luz solar no Brasil.

Hoje, vários outros segmentos estão buscando essa autossuficiência. Um colégio particular da mesma cidade começou este ano letivo sem depender mais do fornecimento externo: agora 126 painéis solares agora produzem toda a energia de que a escola precisa. Iluminação, ar-condicionado das salas, bebedouros. Tudo que antes gerava um gasto de R$ 3,2 mil por mês, praticamente não dá mais despesas.

O Brasil tem hoje mais de 30 mil usinas geradoras de energia fotovoltaica, como são chamadas essas empresas, escolas e casas que usam energia solar e estão interligadas às redes.
O consultor em eficiência energética Pablo Miranda diz que o investimento, que é de, no mínimo, R$ 10 mil para residências e R$ 50 mil para pequenas empresas, compensa porque o consumidor se livra das variações nas tarifas de energia e os equipamentos têm vida longa:

“Nós temos uma garantia de produção aí, na maioria das placas, de 25 anos. Daqui a 25 anos, se as placas não estiverem gerando pelo menos 80% do que você contratou agora, você está garantido”.

O empresário Pedro Rocha decidiu instalar o sistema na casa dele não só para economizar na conta de luz: “Como é um investimento alto, às vezes você tem aquela dúvida: vou investir agora? Não vou, tenho outras necessidades. E aí vem a parte ambiental, que te dá aquele maior incentivo para fazer o investimento”.

Interesse

A energia solar ainda representa uma parcela mínima da geração elétrica do Brasil, mas, com a queda nos preços, ganha a atenção de governos estaduais em busca de investidores. Hoje, a fonte responde por apenas 0,8% da potência instalada de todo o País.

Desse total, 80,8% se concentra em três Estados: Bahia, Piauí e Minas Gerais, segundo a Absolar (associação da indústria solar fotovoltaica).

Nos próximos anos, com a entrega de usinas que estão em construção, essa concentração deverá cair para 68%. Ainda assim, muitas regiões com forte irradiação e alto potencial de geração seguem pouco exploradas, e seus gestores têm buscado se estruturar para atrair grandes projetos de companhias da área.

Tocantins, por exemplo, acaba de lançar um mapeamento indicando as áreas com maior potencial de geração no Estado. Há dois anos, quando começaram a se intensificar as visitas de empresários do setor ao estado, para analisar potenciais empreendimentos na região, o governo não tinha dados, afirma Rubens Brito, subsecretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

O objetivo do estudo é facilitar a atração desses investidores. A meta é que, até 2030, 25% da energia consumida no estado seja de fonte solar. “O Tocantins é um Estado novo, no passado as prioridades eram outras. Temos uma usina em construção e queremos ampliar esse número”, diz o secretário Leonardo Cintra.

Um dos principais gargalos é a disponibilidade de linhas de transmissão para levar a energia aos centros consumidores, afirma Antonio Celso de Abreu Jr., subsecretário de energias renováveis do estado de São Paulo – que representa 9,4% da potência atual. “O fato de Estados terem forte insolação não significa que há escoamento”, diz.

Fonte: O Sul

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