A equipe econômica de Bolsonaro quer definir proposta para a reforma da Previdência até fevereiro

FONTE: O SUL

Faltando duas semanas para a posse do novo governo, integrantes da equipe do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, dizem que sua prioridade na reta final da transição será afinar o discurso sobre a reforma da Previdência.

Eles querem definir não só o projeto que será apresentado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), mas a estratégia que será empregada para obter sua aprovação no Congresso. A ideia é que a proposta fique pronta até o início da nova legislatura, em fevereiro.

Entre os auxiliares de Guedes, há quem defenda o aproveitamento do projeto enviado em 2016 pelo presidente Michel Temer (MDB), que está pronto para ser votado no plenário da Câmara. Seria uma maneira de garantir mudanças nas aposentadorias mais rapidamente, no primeiro semestre do próximo ano.

Para os defensores dessa opção, aprovar a primeira parte da reforma logo no início do mandato daria a Bolsonaro fôlego para apostar em mudanças mais ambiciosas no segundo semestre, com a apresentação do novo regime previdenciário que a equipe de Guedes quer criar.

A entrada do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) na equipe econômica, com a missão de conduzir a negociação da reforma, foi interpretada no mercado financeiro como sinal de que Guedes resolveu se mexer para contornar o problema da falta de articulação do novo governo com o Congresso.

Também não há consenso no grupo sobre o que fazer com a reforma tributária. Parte da equipe de Guedes acha melhor tratar da Previdência primeiro e deixar os impostos para depois.

Maia

Sem o aval do presidente eleito Jair Bolsonaro, Guedes já começou a trabalhar pela reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados.

O chefe da equipe econômica do novo governo tem medo de que sua proposta de reforma da Previdência não avance no Congresso Nacional e orientou deputados a conversarem com Maia, que já se disse convergente com essa agenda.

“O Guedes falou comigo. Sabia que eu ia jantar com o Rodrigo [Maia] e disse: ‘Fala que tenho muito apreço por ele, pelo nome dele e pela pessoa dele e acho que ele poderia colaborar muito com o novo governo’”, relatou o deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL-SP).

Guedes e Rodrigo Maia têm amigos em comum e conversam frequentemente por telefone. Assim como empresários e investidores, Maia diz ter votado em Bolsonaro por causa do ministro da Economia do presidente eleito.

Guedes defende reformas estruturais e privatizações – bandeiras conhecidas do deputado –, apesar de ainda não ter apresentado o conteúdo dos projetos. Bolsonaro já disse publicamente que não vai interferir na eleição para o comando da Câmara dos Deputados, que será renovado em fevereiro, e que, na sua opinião, há “outros bons nomes”, além de Maia, na disputa.

A orientação do presidente eleito é que seu partido só defina quem vai apoiar após a sua posse, em 1º de janeiro, mas Guedes resolveu atuar no varejo, conversando individualmente com os deputados do PSL.

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