A Polícia Rodoviária Federal realizou a maior apreensão de cigarros contrabandeados deste ano no Rio Grande do Sul

FONTE: O SUL

Agentes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) apreenderam dois caminhões carregados de cigarros contrabandeados escondidos em meio a uma carga de laranjas na BR-101, em Torres, no Litoral Norte gaúcho, no final da tarde de terça-feira (06).

Durante fiscalização de combate à criminalidade na rodovia, os policiais abordaram um caminhão emplacado em Sarandi e outro em Novo Hamburgo, ambos conduzidos pelos proprietários. Após vistoria nas carrocerias carregadas de laranjas, foram localizadas centenas de caixas de cigarros contrabandeados do Paraguai.

No total, foram encontradas 800 caixas nos dois caminhões, totalizando 400 mil maços de cigarros. Essa é a maior apreensão de cigarros contrabandeados realizada neste ano no Rio Grande do Sul. Os motoristas foram encaminhados à PF (Polícia Federal) em Porto Alegre.

Contrabando

Quarenta e oito por cento do total de cigarros consumidos no Brasil é oriundo do contrabando, principalmente do Paraguai, que tem o menor imposto do mundo para o produto, segundo o ETCO (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial). Esse crime financia outros mais graves, como o tráfico de drogas e de armas, lavagem de dinheiro, sonegação, corrupção e trabalho escravo.

“Há um sentimento de impunidade, de baixo risco, o que incentiva o contrabando”, disse o presidente do ETCO, Edson Vismona. “O espaço das fronteiras está sendo ocupado pelo crime organizado. Não podemos aceitar isso. Precisamos formular políticas para combater o crime, para fortalecer o desenvolvimento, a integração”, afirmou Vismona. “Temos que ter uma visão mais de integração entre os países. A fronteira não pode ser um espaço abandonado. Temos que cuidar da nossa segurança”, prosseguiu.

“Temos que defender o mercado legal. O ETCO articula ações para isso. Estimula a ética concorrencial, a defesa da lei. Os países mais desenvolvidos têm índices elevados de respeito à lei, à ética. O grande desafio do século 21 é a defesa da legalidade”, concluiu o presidente do instituto, fundado em 2003.

O delegado da Receita Federal em Foz do Iguaçu (PR), Rafael Rodrigues Dolzan, ressaltou que os maiores desafios enfrentados pelas autoridades na região são os crimes transnacionais, os riscos da atividade (confrontos armados e acidentes) e as organizações criminosas, entre elas o PCC (Primeiro Comando da Capital), que tem forte atuação nessa área. A apreensão de drogas é diária. Armas são apreendidas cerca de duas vezes por semana.

Conforme Dolzan, os bandidos estão usando cada vez mais tecnologia, logística qualificada e armamento pesado. Desde o início dos anos 2000, comecaram a ser feitas operações integradas de longa duração na fronteira com o Paraguai. Nos últimos 15 anos, as apreensões de produtos ilícitos na região totalizam 1,2 bilhão de dólares.

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