A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, quer que o PT devolva o dinheiro que gastar na campanha presidencial enquanto não substituir Lula

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, volta a pressionar o PT na Justiça Eleitoral com um recurso para pedir que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mande o partido devolver aos cofres públicos os valores que gastar na campanha presidencial enquanto não anunciar a substituição de Lula na disputa.

A maioria da Corte considerou o ex-presidente inelegível na sexta-feira (31). A sigla repassou R$ 20 milhões do fundo eleitoral à chapa presidencial – e desembolsou R$ 14,4 milhões para programas de rádio e TV.

A possibilidade de um garrote financeiro foi abordada durante o julgamento do pedido de registro de Lula, mas o tema não foi apreciado pelos ministros. A nova cartada da procuradora-geral tende a ampliar a tensão que está entranhada na cúpula petista. A sigla está dividida sobre a estratégia de bancar o nome de Lula e brigar na Justiça até o limite, arriscando as chances de Fernando Haddad (PT), hoje vice do ex-presidente, deslanchar nas pesquisas.

Haddad

Cotado para assumir a candidatura do PT à Presidência, Fernando Haddad visitou na segunda-feira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede da PF (Polícia Federal), em Curitiba (PR), pela quinta vez nos últimos 20 dias. No encontro, ambos discutiram temas como o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral que rejeitou o registro da candidatura do líder petista por seis votos a um.

Haddad chegou para a visita por volta das 9h30min, acompanhado de sua esposa Ana Estela, do advogado de Lula, Cristiano Zanin, e da senadora Gleisi Hoffmann, presidente nacional do partido. O ex-prefeito de São Paulo, normalmente acompanhado de outros dirigentes petistas e também de advogados de defesa de Lula, vem se encontrando com o ex-presidente na cadeia desde 15 de agosto, dia em que a candidatura de Lula foi registrada.

No encontro de segunda-feira, Haddad também relatou ao ex-presidente a sua visita a cidades do Nordeste, na semana passada. A comitiva esteve, inclusive, no município de Garanhuns (PE), onde Lula nasceu. Lá, visitou parentes do ex-presidente e conversou com moradores antigos da cidade.

Havia nos bastidores do PT uma expectativa de que Lula pudesse desistir “oficialmente” de sua candidatura, de forma que Haddad assumisse como cabeça de chapa. Nesse caso, Manuela D’Avila seria a vice. Acabou prevalecendo, porém, a posição de uma ala do partido que defende a opção por arrastar o máximo possível o nome de Lula e só trocá-lo dentro do prazo limite (11 de setembro, 20 dias antes da eleição).

A decisão do ex-presidente de esticar a corda e insistir até o limite no discurso de sua candidatura ao Palácio do Planalto desagradou aos aliados de seu vice e provável substituto. Na avaliação de dirigentes petistas ligados a Haddad, somados a governadores e deputados do partido, há risco de dispersão dos eleitores de Lula ao prolongar ainda mais o prazo para a substituição da candidatura.

Fonte: O Sul

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