Anéis de Saturno perdem até 10 toneladas a cada segundo

A cada segundo, cerca de 10 toneladas de material dos famosos anéis de Saturno mergulham no interior do planeta. E essa é apenas uma das descobertas recém-realizadas pelos cientistas com os dados da última fase da missão Cassini, encerrada no ano passado.

Os dados coletados por Cassini, que se desintegrou na atmosfera de Saturno em setembro do ano passado, revelam que a composição química de seus anéis é “muito mais complexa” do que se acreditava até agora, segundo um comunicado da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, uma das que participaram do estudo.

Um pacotaço de seis artigos científicos sobre o Grand Finale da sonda americana foi publicado na mais recente edição do periódico científico Science. Material complementar com ainda maior profundidade saiu ao mesmo tempo no periódico Geophysical Research Letters.

A maior parte dos resultados diz respeito à composição dos anéis e sua interação com a atmosfera do segundo maior planeta do Sistema Solar. Em suas últimas órbitas, a sonda Cassini realizou diversos voos rasantes sobre o planeta, passando no estreito vão entre o anel mais interno e o topo das nuvens.

Com isso, os instrumentos da espaçonave puderam “saborear” partículas dos próprios anéis, analisando sua composição. Os pesquisadores encontraram compostos orgânicos complexos, silicatos, metano, amônia, monóxido de carbono, nitrogênio e dióxido de carbono — além, é claro, de água, sabidamente o principal componente das incontáveis partículas que perfazem os belos anéis saturninos.

Outro aspecto que surpreendeu nessa “chuva de anel” é o tamanho das partículas. Em geral elas têm tamanho nanoscópico, ou seja, medido em milionésimos de milímetros. Estão mais para “fumaça” do que para grãos, o que indica que algum processo — ainda desconhecido — quebra as partículas dos anéis em fragmentos ainda menores antes que elas mergulhem dentro do planeta.

O trabalho também revelou que há um cinturão de radiação até então desconhecido próximo ao planeta, que faz intersecção com o anel mais interno, e que os próprios anéis têm uma ligação de natureza elétrica com o planeta, com a formação de uma corrente entre eles e a atmosfera saturnina.

Os dados apresentados pela Nasa confirmam o que já se desconfiava: os anéis de Saturno estão paulatinamente sendo erodidos e podem um dia desaparecer. Mas e quanto ao passado deles? Quando foram formados? São novos? São antigos? Os dados da Cassini podem conter a resposta, conforme os cientistas sejam capazes de estimar, a partir deles, a massa total existente nos anéis. Esse resultado muito esperado, contudo, não foi objeto dos novos estudos. Mas calma lá, tem muito chão pela frente. Os dados colhidos pela sonda durante seu Grand Finale ainda darão pano para manga, trazendo tanto respostas quanto novas perguntas sobre o belo e misterioso Saturno.

Fonte: O SUL

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