Após facada, o presidenciável Jair Bolsonaro disse que “nunca fez mal a ninguém”

Em um vídeo gravado no hospital em Juiz de Fora (MG), o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) disse que “nunca fez mal a ninguém” e que no momento em que foi esfaqueado sentiu o que parecia ser “apenas uma pancada”.

Na sua primeira declaração após o ataque na quinta-feira (06), ele comparou aquele momento com uma bolada em um jogo de futebol. “A dor era insuportável. E parecia que tinha algo mais grave acontecendo”, disse ele.

O vídeo foi feito no leito do hospital pelo senador Magno Malta (PR-ES), que foi visitá-lo junto com filhos do candidato a presidente. Falando com dificuldade, ele agradeceu à equipe de médicos e enfermeiros, que, segundo Bolsonaro, impediu que o pior acontecesse. “Eu me preparava para um momento como esse, porque você corre riscos”, declarou.

Ele lamentou ainda que não poderá comparecer ao desfile de Sete de Setembro, no Rio. Na gravação, Magno Malta aparece fazendo uma oração sobre o leito de Bolsonaro e pede a Deus pela recuperação do candidato. Pouco antes, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), filho de Jair, divulgou um vídeo afirmando que a faca “entrou 12 centímetros dentro dele”.

“Foi por um milagre que ele está vivo. Se ele demorasse mais cinco minutos para chegar no hospital, ele teria morrido”, disse Eduardo. No vídeo, Eduardo levantou suspeitas sobre a participação de outras pessoas no crime. “Muitos já falam que existem investigações que a faca não veio somente na mão do criminoso que deu a facada. Ela rolou na mão de outras pessoas antes.”

Autor do atentado

Responsável por ter esfaqueado Bolsonaro, Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos, afirmou que a ação foi feita por motivos pessoais e declarou que o agrediu a mando de Deus, segundo informações da Polícia Militar. Em depoimento na delegacia, Oliveira afirmou que saiu de casa com uma faca escondida para acompanhar a comitiva, já com a ideia de utilizá-la contra o deputado.

Oliveira foi filiado ao PSOL de Uberaba (MG) de 2007 a 2014 e em julho visitou uma escola de tiros em Santa Catarina frequentada por dois filhos do candidato, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro. Em sua página no Facebook, Oliveira tem várias postagens críticas a Bolsonaro e chegou a compará-lo a um asno. Há também fotos contra o presidente Michel Temer, pedindo a sua saída do cargo.

“A aprovação de Bolsonaro é maior entre os menos estudados, ou seja, só analfabetos e semianalfabetos votam em Bolsonaro”, escreveu em 18 de julho. Dez dias depois, compartilhou um meme do raio-x de um crânio com fezes, acompanhado da frase: “RX da cabeça de um fã de Bolsonaro”.

Muitos posts dele tratam de supostas maquinações da maçonaria, que controlaria empresas e seria representada por vários políticos e organizações de direita no Brasil. Oliveira escreve contra a desnacionalização de empresas. Defende o fim do Estado laico e sugere uma lei que transforme o Brasil em Estado cristão. Também publica textos e imagens desfavoráveis a homossexuais (um contra a Parada Gay).

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