Após quase 90 dias, problema em certidão de óbito impede enterro de cubano morto em acidente que matou oito no RS

FONTE G1//Quase 90 dias após o acidente que matou oito pessoas na BR-471, em Santa Vitória do Palmar, o corpo de uma das vítimas da tragédia ainda não foi liberado para o enterro. Trata-se do cubano Reynaldo Delgado Díaz, de 45 anos, que ainda está no Departamento Médico Legal de Rio Grande por conta de um erro na emissão da certidão de óbito.

Sem condições de pagar pelos cerca de R$ 30 mil para transportar o corpo de volta para Cuba, a família de Reynaldo autorizou que o sepultamento seja realizado no Brasil. Mas os problemas na emissão da documentação impedem que ele seja enterrado até mesmo em solo brasileiro.

Para que Reynaldo pudesse ser sepultado no Brasil, a filha dele encaminhou uma procuração autorizando o enterro em Rio Grande. No entanto, na certidão de óbito emitida pela Justiça foi informado que ele seria enterrado em Cuba, e que seria casado, o que não é verdade.

Por conta dos erros de informação, a prefeitura alega que não tem como pagar pelo funeral. O Comitê Municipal de Atenção a Migrantes (Comirat) fez uma solicitação ao Cartório de Registro Civil de Santa Vitória do Palmar para que as informações fossem alteradas, mas o pedido foi negado.

O Comirat recorreu então à Justiça para que fosse feita a alteração. “Irá então para a juíza que foi quem homologou essa decisão, que pode reverter, e com sua sentença modificar a certidão de óbito, e a gente conseguir que esse funeral seja realizado em Rio Grande”, explica o integrante do Comirat, Chendler Siqueira.

O requerimento deve ser encaminhado para a juíza responsável pela decisão ainda nesta semana.

Os copos dos outros dois cubanos mortos no acidente – Niurka García Roque, de 46 anos e de Osmani Hidalgo Leyva, de 21 – voltaram para Cuba no início de fevereiro.

O único sobrevivente do acidente foi Armando Sosa Gonzalez, que voltou para a ilha caribenha no mês passado. Uma das vítimas, Jonathan Ferreira, de 21 anos, morreu no hospital dias depois do acidente.

A investigação
Em seu depoimento prestado à polícia no fim de janeiro, Armando disse que o veículo em que estavam trafegava em alta velocidade. Ele e os outros três compatriotas embarcaram no táxi no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, com destino ao Chuí, no Sul do estado, onde seguiriam viagem até o Uruguai.

No caminho ocorreu a colisão frontal com um veículo que vinha em sentido contrário. Morreram os três cubanos, o motorista do táxi, e outras quatro pessoas que estavam no outro carro.

O exame feito pela perícia apontou que o motorista do táxi havia consumido drogas, mas não era possível determinar se estava sob efeito de algum entorpecente no momento em que aconteceu a colisão.

“Nenhuma testemunha é conclusiva quanto a responsabilidade pelo acidente. Até poderia se pensar que o responsável é o motorista que dirigia o veículo Cobalt (táxi), em virtude de ele estar na pista contrária. Mas, de qualquer forma, ambos os motoristas vieram a morrer, então, extinta a culpabilidade deles por algum eventual homicídio de trânsito”, afirma o delegado Roberto Sahagoff.

Mas o inquérito ainda está em andamento, e a polícia ainda faz averiguações para concluir as investigações. O delegado afirma que pretende esclarecer se o segundo táxi, que trafegava na frente, e que não se envolveu no acidente, pode ter se omitido. No veículo estavam cubanos que faziam o mesmo trajeto até o Chuí, e que, segundo testemunhas, decidiram seguir viagem mesmo depois do acidente.

“Acho que o que resta, e essa foi a conclusão do inquérito do colega titular, me parece que ainda tá faltando ouvir, identificar e averiguar se não há uma responsabilidade do motorista do outro táxi que ia um pouco mais à frente, no sentido de que ele se omitiu de prestar socorro, se houve ou não essa omissão”, afirma o delegado.

O motorista não foi ouvido novamente pela polícia.

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