Gaúchos foram vítimas do golpe da falsa hospedagem na Rússia durante o Mundial

FONTE: O SUL

Desde o início da semana, a cidade de São Petersburgo, na Rússia, está recebendo um grande contingente de torcedores para o jogo do time de Tite, Neymar e companhia contra a Costa Rica, pela segunda rodada do Mundial. O duelo será realizado às 9h desta sexta-feira (horário de Brasília).

Entre os estrangeiros que estão na cidade para acompanhar a partida, um relato é compartilhado anguns deles: o golpe da falsa hospedagem. Foi o que aconteceu com os gaúchos Rafael Maurer e Cristiano Teló, que haviam feito uma reserva para permanecer no país europeu durante alguns dias.

Quando chegaram ao endereço indicado como o do apartamento contratado por meio do aplicativo Home Away, deles deram “com a cara na porta”: o local não existe como hospedagem. Uma cidadã russa que estava no local e testemunhou o problema acabou ajudando a dupla a encontrar outro destino – um albergue na região, com as malas nas costas.

Os gaúchos vão assistir ao jogo entre Rússia e Egito no estádio Krestovsky e depois, no mesmo palco, a partida da Seleção Brasileira. Eles vieram de Varsóvia (Polônia) e não contavam com o imprevisto.

“Chegamos no número 88 da avenida Nevsky, entramos e não achamos nada relacionado à nossa reserva”, relatou Maurer. “Acabei perdendo pelo menos 200 dólares. Vou processar o site de hospedagem. Menos mal que contamos com a ajuda de uma russa muito simpática que nos indicou outro lugar”.

A avenida em questão concentra as principais atrações da cidade de São Petersburgo e atrai todo tipo de turista. Por outro lado, tem sido o cenário perfeito para esse e outros tipos de golpe. Nos últimos dias, por exemplo, um brasileiro perdeu 1,5 mil dólares para um iraniano que se passou por falso policial.

História

Localizada a 600 quilômetros da capital Moscou, São Petersburgo (chamada de Leningrado até 1991), tem 4,9 milhões de habitantes. A segunda maior cidade do país foi um dos cenários da resistência soviética à ofensiva do Exército da Alemanha, entre setembro de 1941 e janeiro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.

Durante 872 dias, as tropas nazistas, com apoio da Itália e da Finlândia, mantiveram a população cercada, com fome e frio. Quase 2 milhões de pessoas morreram naquele período, entre civis e membros do Exército Vermelho. Para os nazistas, destruir Leningrado significava acabar com a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e vencer o conflito global. Afinal, a cidade era um dos símbolos da Revolução de Outubro de 1917 e concentrava 10% da produção industrial soviética.

Barricadas de madeira, trincheiras de terra e areia, barreiras humanas. Os habitantes de Leningrado colocaram a mão na massa e conseguiram evitar o avanço alemão em todo o perímetro da cidade. Os materiais e a força de trabalho eram quase rudimentares, diante dos bombardeios e dos tanques de guerra germânicos – que chegaram a provocaram 178 incêndios em um único dia.

Como não havia fornecimento de energia elétrica, o comitê executivo regional autorizou que os civis cortassem árvores para produzir carvão vegetal para tentar reabrir as fábricas. Com o passar dos meses, a oferta de comida no interior do cerco diminuiu e milhares de pessoas passavam o dia com 500 gramas de pão. Muitos só não morreram de desnutrição porque mergulhadores soviéticos ajudaram a recuperar várias barcas com milho, que haviam afundado após bombardeios alemães.

A salvação veio de fora para dentro: após derrotar as tropas nazistas em Moscou e Stalingrado, o exército soviético mobilizou um milhão de homens para a região de Leningrado e contribuiu para virar o jogo, em janeiro de 1944.

Hoje, São Petersburgo está repleta de museus e monumentos que exaltam a memória daqueles dias de resistência. Um dos maiores motivos de orgulho do povo russo, até hoje, é a vitória sobre o nazismo, que fatalmente teria prosperado em várias regiões do planeta não fosse a dedicação e a disciplina dos trabalhadores soviéticos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.