Governo “agoniza” até eleição, dizem analistas

FONTE CORREIO DO POVO//A quatro meses das eleições gerais, depois do fim da mobilização dos caminhoneiros, a contabilização das perdas coloca o país em compasso de espera, apontam analistas políticos e cientistas sociais. O governo, que tentará obter algum ganho político com a saída de Pedro Parente do comando da Petrobras, seguirá extremamente impopular e fragilizado. Mas, por uma série de fatores, tem condições de se manter.

Entre eles, elencam os especialistas, estão o intervalo na política que começa a partir da Copa do Mundo, o tamanho real das perdas geradas pelo fechamento das estradas e, faltando tão pouco para as eleições, a escassa ou nenhuma possibilidade de que grupos que de fato têm poder para “derrubar” um presidente se empenhem para que isso ocorra. A pressão social, contudo, dificilmente deve arrefecer, intercalando momentos de maior ou menor tensionamento. Duas questões são apontadas como importantes neste cenário: o que o governo vai fazer com a política de preços dos combustíveis e como, desde a semana passada, vem trabalhando para obter um melhor monitoramento das redes sociais.

“O mais importante neste momento é, em nome da institucionalidade democrática que está em risco, colocar de lado tentativas de tirar dividendos eleitorais. O foco na derrubada do governo já teve seus momentos, que passaram, e seria um equívoco continuar priorizando essa agenda. É muito mais importante construir os passos para que a eleição encaminhe isso”, projeta o professor dos programas de pós-graduação em Ciências Criminais e Ciências Sociais da PUCRS, Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo. Ele classifica a atual situação como inusitada e lembra que não era frequente no país há algum tempo, mas ressalva como importante o fato de o governo, apesar de toda a confusão que demonstrou, não ter perdido a coordenação da ação institucional, principalmente das forças de segurança.

Para o coordenador do Centro Brasileiro de Pesquisas em Democracia da PUCRS, André Salata, apesar de todas as dificuldades e da pecha de “agonizante”, o governo se manterá. “As incertezas sobre as consequências fazem com que os setores que teriam condições para depor Temer optem por não inflamar os ânimos neste momento”, estima Salata.

Redes mostram desgaste de Temer

Mesmo após encerradas as manifestações dos caminhoneiros, o desgaste do governo e da figura do presidente Michel Temer segue em alta nas redes sociais. É o que mostram os monitoramentos feitos pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (Dapp-FGV).

A Dapp acompanhou a greve dos caminhoneiros e as discussões sobre os combustíveis no Twitter a partir do dia 20, e concluiu que eles despontaram como um dos principais eventos políticos dos últimos anos nas redes sociais, com 8,85 milhões de posts. Os pesquisadores constataram ainda que a influência de robôs no debate público sobre a greve não foi muito significativa: menos de 1% na maior parte dos grupos. “O que permanece, e é uma questão a se observar nos próximos dias, é o desgaste do governo e do presidente. Isso continua e é bem forte. Estamos acompanhando os desdobramentos porque de fato foi uma crítica muito dura, possivelmente uma das piores até o momento”, destaca Amaro Grassi, pesquisador da Dapp.

Grassi assinala que os monitoramentos apontam convergência na crítica e fragmentação nas soluções e destaca que o Twitter, apesar do público menor e mais específico, é um indicador bem razoável do que ocorre na sociedade. “Tudo o que é muito forte nos grupos de WhatsApp transborda para as demais redes.” A horizontalidade que caracteriza os novos movimentos sociais também é motivo de atenção. “É uma característica bem nova e marcante, principalmente no WhatsApp, que é fechado, amplo e difuso”, diz Grassi.

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