Lula telefonou para o ex-governador da Bahia Jaques Wagner recomendando que o petista não abra mão de seus projetos políticos e “não recue”

FONTE O SUL//O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou, na segunda-feira (26), para o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, recomendando que o petista não abra mão de seus projetos políticos e “não recue”. O telefonema aconteceu horas depois da ação de busca e apreensão realizada pela PF (Polícia Federal) na casa de Wagner, dentro da Operação Cartão Vermelho.

Na conversa, o ex-presidente aconselhou Wagner a fazer firme defesa. O gesto foi encarado por petistas como uma demonstração de que Wagner continua sendo o favorito de Lula para a disputa presidencial caso ele próprio seja impedido de concorrer. Mas, no partido, a orientação é aguardar os desdobramentos da operação para avaliar se o ex-governador resistirá até as eleições.

Wagner, por sua vez, tem associado a operação da PF ao surgimento de seu nome como “plano B” do PT para a corrida presidencial. Em recentes conversas, Wagner atribuiu a ação policial a uma perseguição política. Dentro desse raciocínio, o ex-governador disse que já esperava ser alvo de uma tentativa de intimidação após aparição de seu nome como preferido de Lula.

O ex-governador da Bahia afirmou também que seu nome continua à disposição de Lula. Por enquanto, ele é candidato ao Senado pelo Estado da Bahia. Apesar das manifestações de petistas em apoio a Wagner, dirigentes do PT começaram a discutir na terça-feira (27) alternativas ao Palácio do Planalto. Além do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, nomes como os dos ex-ministros Patrus Ananias e Celso Amorim e do governador do Piauí, Welington Dias, são cogitados. A hipótese de apoio à candidatura de Ciro Gomes, pelo PDT, continua descartada.

Investigação

Uma das linhas de investigação que a PF apura na Operação Cartão Vermelho – deflagrada na manhã de segunda-feira em Salvador (BA) – é o suposto pagamento de propinas ao ex-governador da Bahia, no valor de R$ 82 milhões. Conforme os responsáveis pela força-tarefa, o dinheiro teria sido pago pelas construturas Odebrecht e OAS, responsáveis pela demolição e reconstrução da Arena Fonte Nova, um dos estádios que recebeu partidas da Copa do Mundo de 2014.

Entre os crimes apontados no esquema estão superfaturamento, desvio de verbas públicas, corrupção, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. O total de desvios pode chegar a R$ 450 milhões, estima a PF. De acordo com a PF, do total dos R$ 82 milhões pagos entre 2006 e 2014, apenas R$ 3,5 milhões foram declarados como doação de campanha para o político baiano, que concorreu na última eleição ao governo do Estado.

Há ainda a suspeita de que R$ 500 mil provenientes desse esquema foram entregues em mãos na casa da própria mãe do petista, no Rio de Janeiro. “O total investigado de pagamento é de R$ 82 milhões, em doações eleitorais não declaradas e propinas”, detalhou em coletiva de imprensa a delegada Luciana Matutino, chefe da Delegacia de Combate à Corrupção, sobre as suspeitas contra Wagner.

“Ele [Jaques Wagner] não recebia o dinheiro de forma direta, à exceção da entrega que foi feita na casa de sua mãe no Rio de Janeiro”, acrescentou a delegada. “Os doleiros de Salvador não teriam capacidade de entregar tal quantia e por isso teria sido feito um pagamento na capital fluminense.”

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