MP denuncia facção que tinha R$ 2,6 milhões em contas bancárias, lojas e sítio.

FONTE CORREIO DO POVO//A Promotoria de Justiça Especializada no Combate aos Crimes de Lavagem de Dinheiro e Organização Criminosa,do Ministério Público do Rio Grande do Sul, denunciou à Justiça 40 integrantes da facção “Bala na Cara”. Os investigados responderão por organização criminosa, lavagem de capitais e corrupção de menores. A denúncia foi apresentada no último dia 18.

Entre os denunciados está um dos chefes da facção, atualmente detido no Presídio Federal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Minhoca, como é conhecido, foi preso pela Polícia Civil em Ciudad del Este, no Paraguai. Na ocasião, os agentes apreenderam o celular dele – onde estavam armazenadas fotografias dos integrantes da organização criminosa, portando armas de diversos calibres, além de recibos que comprovavam a prática dos crimes. Em um aplicativo de mensagens também estavam preservadas conversas entre Minhoca e outros integrantes da facção. O conteúdo serviu como prova para a denúncia do MP.

Na hierarquia da organização, Minhoca tinha todos os outros membros subordinados a ele. Foram identificados os gerentes das bocas de tráfico e executores das tarefas criminosas em patamar logo abaixo e, por fim, os depositantes e aquelas pessoas que emprestavam seus nomes para circulação da riqueza proveniente das infrações, os “laranjas”.

Mesmo do Paraguai, Minhoca indicava locais para o tráfico, determinava pagamentos, apontava contas a serem depositados valores, e, também, eram dele que partiam as ordens para a execução de homicídios, vendas de armas de fogo e de drogas. A chamada “Célula do Minhoca”, já que a facção dos Balas na Cara ainda se desdobra em outros grupos, movimentava cerca de R$ 500 mil reais por semana. A organização criminosa que se declarava “Bala na Cara” era voltada ao tráfico de drogas e, para manter essa atividade, atuava também no comércio ilegal de armas de fogo e cometia homicídios.

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Para lavar o dinheiro, a organização criminosa abriu duas frentes: depósito, empréstimo e recebimento de valores por meio de conta bancária de terceiros, denominadas de “contas de passagem”, onde houve bloqueio de R$ 2,6 milhões e aquisição de móveis e imóveis em nome de interpostas pessoas, como dois minimercados, uma loja de roupas, uma lavagem de veículos, três imóveis residenciais (entre eles um sítio), 14 carros de passeio e seis motos, todos registrados em nome de laranjas.

A denúncia por corrupção de menores se dá porque há provas de que o grupo aliciou uma adolescente de 16 anos, para que a jovem executasse o tráfico e fizesse depósitos bancários.

O promotor de Justiça Marcelo Tubino ressalta a importância do trabalho desenvolvido em parceria com a Promotoria de Justiça do Alto Petrópolis e com a Polícia Civil – que tem apresentado boas investigações nessa área – e salienta que, vive-se, atualmente, com uma violência muito explícita em nossa sociedade, fragilizando o cidadão.

“Temos gerações que tiveram de se privar de andar tranquilamente nas ruas. O MP, dentro daquilo de seu alcance, ciente da complexidade do problema, mediante investigações de lavagem e organização criminosa, vem apostando na descapitalização do criminoso, que o impulsiona à sequência de crimes, tentando melhorar esse quadro. Temos de mostrar ao criminoso que realmente o crime não pode compensar, privando-o da liberdade, mas, especialmente, afastando daquilo que ele sempre perseguiu: o lucro e a vantagem econômica”, conclui Tubino que salientou, também, a sensibilidade do poder judiciário na rapidez do exame dos pedidos cautelares e o trabalho em conjunto com os demais órgãos encarregados da persecução penal.

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