O papa comparou o aborto ao uso de um “matador de aluguel”

O papa Francisco comparou nesta quarta-feira (10) a interrupção voluntária da gravidez a recorrer a um “matador de aluguel”, na homilia pronunciada durante a sua tradicional audiência na Praça de São Pedro do Vaticano.

“Interromper uma gravidez é como eliminar alguém. É justo eliminar uma vida humana para resolver um problema?”, questionou o pontífice aos fiéis reunidos no Vaticano. “É justo contratar um matador de aluguel para resolver um problema?”, prosseguiu, saindo do texto que havia preparado. “Eliminar um ser humano é como contratar um matador de aluguel para resolver um problema”, insistiu.

O papa criticou em sua homilia “a perda de valor da vida humana” em consequência das guerras, da exploração do homem e da cultura da exclusão. E ele adicionou a essa lista o fim da vida no ventre materno “em nome da salvaguarda de outros direitos”. “Mas como um ato que suprime a vida inocente pode ser terapêutico, civil ou simplesmente humano?”, perguntou o pontífice argentino.

Diabo

O diabo está vivo e fazendo hora extra para prejudicar a Igreja Católica Romana, disse o papa Francisco. O pontífice está tão convencido de que Satã tem culpa pela crise de abusos sexuais e pelas profundas divisões que assolam a Igreja que pediu a católicos de todo o mundo que recitem uma prece especial todos os dias de outubro para tentar afastá-lo.

“A Igreja precisa ser salva dos ataques do maligno, do grande acusador, e ao mesmo tempo ser cada vez mais conscientizada de sua culpa, seus erros e abusos cometidos no presente e no passado”, disse Francisco em mensagem no dia 29 de setembro.

Desde que foi eleito, em 2013, Francisco deixou claro que acredita que o diabo é real. Em documento divulgado em abril sobre a santidade no mundo moderno, o papa mencionou o diabo mais de dez vezes.

“Não deveríamos pensar no diabo como um mito, uma representação, um símbolo, uma figura de linguagem ou uma ideia. Este erro nos levaria a baixar nossa guarda, a nos tornarmos descuidados e acabar mais vulneráveis”, escreveu no documento.

A Igreja Católica tem sido abalada por uma sucessão de escândalos de abuso sexual, da Alemanha aos Estados Unidos e ao Chile. Ao mesmo tempo, uma polarização crescente entre conservadores e liberais da Igreja chegou até as redes sociais.

Denúncia

Um importante cardeal do Vaticano emitiu uma contundente crítica ao embaixador que acusou o papa Francisco de encobrir a má conduta sexual de um proeminente cardeal norte-americano e pedir a renúncia do líder católico. Em carta aberta, o prefeito da Congregação dos Bispos, cardeal Marc Ouellet, afirmou que a denúncia do ex-núncio apostólico dos EUA, Carlo Maria Viganò, de que o papa teria encoberto o ex-cardeal norte-americano Theodore McCarrick é uma “armação política” sem real fundamento.

Ouellet confirmou que McCarrick, agora com 88 anos, recebeu no passado recomendações disciplinares por causa das suspeitas de má conduta, mas disse que a “exortação” para viver uma vida discreta, de oração e penitência, foi interrompida porque à época não houve confirmação sobre os rumores.

A carta de Ouellet foi divulgada no domingo, um dia depois de Francisco autorizar um “estudo minucioso” de todos os arquivos do Vaticano sobre como McCarrick avançou na hierarquia da Igreja Católica, apesar das alegações de que ele abusava sexualmente de seminaristas e jovens sacerdotes.

Fonte: O SUL

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