O preço do frango sobe até 54% após a greve dos caminhoneirtos

FONTE O SUL//A greve dos caminhoneiros, encerrada há pouco mais de uma semana, continua gerando impactos no mercado. O preço das carnes de frango e de porco dispararam nos supermercados. Alguns cortes chegam a custar até 54,5% a mais do que antes da paralisação. Estabelecimentos acreditam que situação deve voltar à normalidade em 20 a 30 dias.

O frango registrou maior alta. A ave inteira resfriada, que custava em torno de R$ 4,90 o quilo há cerca de 20 dias, hoje está sendo vendida ao preço de R$ 6,90, o que corresponde a uma alta de 40,8%. O corte com maior reajuste foi a coxa, que custava em torno de R$ 5,50 antes da manifestação dos caminhoneiros e, agora, está custando aproximadamente R$ 8,50, alta de 54,5%.

Solução para futuras greves

A crise que vivemos depois da greve dos caminhoneiros pode ser resumida pelo famoso ditado: “Quando a farinha é pouca, meu pirão primeiro”. Em vez de cortar na própria carne, o governo corta a carne de outros setores para manter a arrecadação. E, ao tabelar o frete, eleva brutalmente o preço da farinha para centenas de cadeias produtivas, gerando aumento generalizado de preços.

Ocorre que, com o aumento do desemprego, muito desempregado acabou levantando o FGTS para comprar um caminhão e “puxar frete”. Com isso, houve grande aumento na oferta de transporte rodoviário, principalmente a partir de um número expressivo de transportadores autônomos, que acabam se sujeitando a preços aviltantes de fretes que remuneram unicamente seus custos diretos (combustíveis, por exemplo). O que fazer, então?

Primeiro, controlar artificialmente o preço do diesel e da gasolina definitivamente não é solução. Precisa, sim, de uma política transparente de formação de preço de combustíveis que mantenha a correlação com o mercado mundial, mas evite variações extremas.

Tributos sobre combustíveis – como a Cide ou o PIS-Cofins – poderiam exercer esse papel, desonerando quando o petróleo sobe demais e onerando quando ele cai. Isso atenuaria variações abruptas como vemos hoje. Ademais esses mesmos impostos deveriam tratar diferencialmente combustíveis fósseis e renováveis, em favor destes, beneficiando a redução de emissões e a qualidade do ar nas grandes cidades.

Segundo, tabelar o preço dos fretes não é solução para alavancar os transportadores, pois piora a situação do resto da economia, e a renda deles por tabela, destruindo o pouco de pirão que ainda resta.

O frete é o preço cobrado para a movimentação de um determinado bem, mas ele envolve diversas variáveis. É fato que temos o costume de estimar o valor de frete de acordo com a distância percorrida.

Entretanto, há muitos outros fatores que também impactam o valor, como o tipo e a quantidade de carga transportada, a sazonalidade da demanda por transporte, as peculiaridades regionais (na origem e/ou destino do frete), a possibilidade de carga de retorno, os custos operacionais (de acordo com o tipo de veículo utilizado), a concorrência ou complementaridade com outras modalidades de transporte, o estado de conservação das vias, a existência de pedágios e balanças, o prazo de entrega, a forma de contratação.

É muito difícil, se não impossível, cruzar todas essas variáveis numa tabela de valor mínimo de fretes.

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