O presidente Michel Temer pediu a integração com África, mas deixou a reunião do Brics sem ouvir os africanos

Em sua última participação na cúpula do Brics (bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o presidente Michel Temer defendeu nesta sexta-feira (27) uma maior integração econômica com os países africanos. Ele deixou a sessão, porém, antes de uma rodada de discursos de países do continente, convidados para o encontro pelo presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.

“O Brasil está ligado à África pela história, pela cultura, pelo sangue. Não por acaso, a aproximação com a África é para nós uma prioridade permanente”, disse Temer, em discurso durante sessão que reuniu o chamado Brics Plus – que incluiu este ano Turquia, Argentina e Jamaica – e países africanos convidados por Ramaphosa.

Em sua fala, Temer citou “ações concretas” tomadas pelo Brasil no sentido de ter maior aproximação com a África, como a construção de um laboratório para o diagnóstico de tuberculose em São Tomé e Príncipe e acordos de investimento com Moçambique, Angola, Malaui e Etiópia.

“Mas o potencial a ser explorado ainda é enorme”, continuou o presidente. “Temos negociações em curso com a Tunísia e o Marrocos. Estamos prontos, também, para expandir nosso acordo com a União Aduaneira da África Austral”.

Temer defendeu também uma maior cooperação brasileira em treinamento de militares para forças de paz. Durante a cúpula em Joanesburgo, a África do Sul propôs aos Brics a criação de um grupo de trabalho sobre o tema.

“O Brasil olha para a África com a determinação de empreender projetos que nos aproximem cada vez mais. O Brasil olha para a África – e para os países aqui representados, com amizade e com sentido de futuro”, concluiu.

Temer deixou a sessão logo após a fala do presidente russo Vladimir Putin, antes do início dos discursos dos líderes do Brics Plus e dos 22 países africanos convidados. Putin, Ramaphosa e os presidentes da China, Xi Jinping, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, permaneceram até o final da sessão.

Ele foi substituído na mesa dos chefes de Estado do Brics pelo ministro das Relações Exteriores, Aloyisio Nunes, e embarcou para o Brasil por volta de 12h20min no horário local (7h20min no horário de Brasília).

O presidente antecipou sua volta ao País, inicialmente prevista para este sábado (28). Sua agenda incluía a inauguração, nesta sexta-feira, de um centro de treinamento da Embraer em Joanesburgo, mas as instalações não ficaram prontas.

Durante sua estadia na África do Sul, Temer teve reuniões bilaterais com Ramaphosa e com o presidente chinês, Xi Jinping, a quem solicitou a eliminação de barreiras às exportações brasileiras de açúcar e frango.

Mercosul

Temer indicou que o Mercosul (Mercado Comum do Sul) poderá chegar, em setembro, a um termo de acordo de livre comércio com a UE (União Europeia). As tratativas começaram no fim da década de 1990, e ainda há cerca de 30 questões pendentes. O emedebista negou que o acordo fechado pelos Estados Unidos com a União Europeia afete as negociações do Mercosul com o bloco.

“As questões relativas à aliança do Mercosul com a União Europeia ainda estão em tratativas. Nada atrapalha o fato de os Estados Unidos fazerem uma aliança com a União Europeia, uma aliança, aliás, tarifária, zero tarifa”, disse o presidente na quinta-feira.

“As conversações continuam, há uma reunião marcada novamente em setembro. Eu e o presidente Macri [Argentina] nos esforçamos muito para isso ao longo do tempo. E não é improvável que em setembro se consiga fechar esse acordo. Eu acredito.”

Fonte: O Sul

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