Os taxistas de Porto Alegre poderão usar bermudas até o final de março

FONTE: O SUL

A prefeitura de Porto Alegre vai autorizar os taxistas a utilizarem bermudas durante o trabalho até o dia 31 de março. As novas normas devem ser publicadas pela EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) no Diário Oficial até segunda-feira (11) e atendem a uma reivindicação da categoria em razão do elevado calor deste verão.

De acordo com a nova resolução, a bermuda poderá ser de jeans, sarja ou social, em qualquer cor única (“lisa”) e com comprimento sobre ou abaixo do joelho. Na mesma resolução, após reunião entre EPTC e representantes de 150 condutoras na manhã dessa quinta-feira, ficou definido o padrão de vestimenta específico para as mulheres que atuam no segmento. Há muito tempo elas vêm reclamando da obrigação do uso de roupas que consideradas masculinizadas.

As taxistas também estão autorizadas a usar, sempre em peças de cor única: blusa com colarinho, camisa com colarinho, saia de comprimento abaixo do joelho, calça feminina do tipo “pescador”, colete e sapatilhas ou sandálias presas ao pé, exceto as do tipo chinelo. A permissão para as mulheres, no entanto, vale para o ano todo.

Decisão agradou a categoria

Desde 1993 na profissão, o taxista Júlio César Vieira ficou satisfeito com a decisão. “Sou totalmente de acordo com a liberação do uso da bermuda, pois sofremos muito com este calor”, ressaltou em depoimento reproduzido no site da prefeitura. “Em muitos momentos do dia a gente fica parado no ponto, até fora do táxi. A prefeitura foi sensível aos nossos pedidos.”

O seu colega Claudionor dos Santos Machado, taxista há 23 anos, concordou: “A bermuda atende a uma necessidade de saúde para trabalhar”. Entre as profissionais femininas, a decisão foi comemorada inclusive no grupo de WhatsApp denominado “Luluzinhas dos Táxis”, onde debatem as pautas da categoria. Jane Marcos, há quase duas décadas na atividade, manifestou contentamento por não ter mais a obrigação de vestir apenas roupas de padrão masculino.

“Quero agradecer pela compreensão da prefeitura”, ponderou. “As nossas reivindicações foram atendidas em grande parte. Após 18 anos como taxista, finalmente terei a oportunidade de usar roupas mais femininas. Até então, não me sentia à vontade no padrão exigido.”

Gerusa Carneiro Bolok, dois anos na profissão, também elogiou as novas normas: “Foi importante para nós esta definição, ainda mais com todo este calor que faz por aqui. Vamos trabalhar com mais vontade ainda”.

Com 12 anos de serviço nos táxis, integrante do ponto da Rodoviária, Andréia Terres, uma das lideranças da categoria, definiu como “muito positivo” o resultado da reunião: “Houve bom senso por parte da prefeitura, da direção da EPTC e da equipe de fiscalização de transportes. Eles cederam um pouco e nós também”.

A reunião dessa quinta-feira contou com a participação do diretor de operações da EPTC, Fabio Berwanger Juliano, e de Luciano Souto, gerente de fiscalização de transporte da empresa.

“Realmente o calor tem sido intenso e o uso da bermuda, dentro das normas estabelecidas, garantirá um maior conforto na prestação do serviço”, prevê Berwanger. “Sobre as mulheres, a resolução proporcionará, pela primeira vez, um padrão de vestimenta bem mais apropriado ao gosto das condutoras. A categoria saiu satisfeita e, certamente, o serviço ficará ainda mais qualificado.”

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