Porto Alegre tem incidência de câncer intestinal três vezes maior do que a média brasileira

FONTE: O SUL
Nesta segunda-feira, Dia Nacional de Luta Contra o Câncer, os postos de saúde vinculados à prefeitura de Porto Alegre oferecem testes gratuitos para identificação de modalidades intestinais e colorretais da doença. O foco nesse tipo da enfermidade se deve ao fato de a capital gaúcha apresentar uma incidência três vezes maior que a média nacional.

O procedimento pode ser realizado na própria unidade, a partir de amostras de fezes, para detectar se há presença de sangue oculto – o resultado sai em cinco minutos. Se houver necessidade, a pessoa é encaminhada para uma análise mais detalhada (colonoscopia). A iniciativa tem a parceria do Inca (Instituto Nacional de Câncer) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Conforme o gastroenterologista Ângelo Zambam Mattos, coordenador do projeto na Secretaria Municipal da Saúde, se o resultado der negativo, a pessoa será orientada a repeti-lo em dois anos. Em caso positivo, há um risco maior de se ter a doença e o exame é marcado em poucas semanas após a solicitação.

“Com isso, a pessoa tem condições de detectar precocemente a presença de pólipos, retirados no momento do exame, ou de lesões malignas, possibilitando tratamento”, detalha. “Esse exame ainda não faz parte da cultura de saúde da população, por isso a importância de divulgarmos tal informação.”

Características

O câncer colorretal ou de intestino é o segundo tipo mais comum entre mulheres no Brasil e o terceiro entre homens. A incidência da doença em Porto Alegre é quase três vezes maior do que a nacional, sendo o terceiro tipo de câncer que mais mata no Brasil. As autoridades médicas reiteram a prevenção e os hábitos de vida saudáveis como formas de evitar esse e outros tipos da doença.

Desde setembro do ano passado, idosos na faixa de 60 a 75 anos atendidos nas 140 unidades de saúde do município contam com um serviço pioneiro no Brasil, disponibilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e que tem como foco as modalidades intestinal e colorretal.

Em apoio a ações de planejamento e implementação de soluções de tratamento à doença, a capital gaúcha foi selecionada, em 2018, como cidade-desafio do City Cancer Challenge (C/Can), junto com Kigali (Uganda) e Tbilisi (Georgia). Cali (Colômbia), Assunção (Paraguai), Kumasi (Gana) e Yangon (Myanmar) integraram a iniciativa em 2017 como cidades-aprendizado, em etapa anterior.

As cidades selecionadas para se tornarem cidades-desafio assinaram cartas de intenção que delineiam o compromisso de trabalhar juntas com todos os atores relevantes de âmbito urbano no desenho, planejamento e implementação de soluções para o tratamento do câncer.

Panorama mundial

Conforme a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo e foi responsável por 9,6 milhões de mortes no ano passado. Em nível global, um em cada seis óbitos são relacionados à doença.

Cerca de um terço das mortes por câncer se devem a cinco principais riscos comportamentais e alimentares: alto índice de massa corporal, baixo consumo de frutas e vegetais, falta de atividade física e uso de álcool e/ou tabaco – este último consta como principal fator de risco, sendo atribuído a 22% dos casos fatais pela doença.

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