Resíduos tóxicos do lixo são despejados em riacho de Sapucaia do Sul

FONTE: G1.COM/RS

Resíduos de um aterro sanitário de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, estão escorrendo pelo solo e indo parar direto num riacho da zona rural da cidade. O chorume, líquido da decomposição do lixo, vaza de lagoas que deveriam armazenar o produto até ser encaminhado para empresas que fazem o tratamento.

Segundo um ex-funcionário de uma empresa terceirizada, que prestou serviços no local, o despejo do chorume no meio ambiente é maior em dias de chuvas e à noite. O homem ainda fez uma denúncia mais grave: segundo ele, até mangueiras já foram usadas para despejar a água contaminada mais rapidamente no mato.

“Eles recolhiam todo o chorume que caía nas lagoas e agora não estão recolhendo mais nada. Deixam tudo a céu aberto e descarregam exatamente no riacho que tem ao lado, principalmente em dia de chuva e aos finais de semana, eles deixam correr tudo a céu aberto.”

Imagem mostra chorume sendo despejado no riacho (Foto: Fábio Almeida/RBS TV) Imagem mostra chorume sendo despejado no riacho (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)
Imagem mostra chorume sendo despejado no riacho (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)
Em nota, a prefeitura de Sapucaia do Sul afirmou que no final de julho, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) vistoriou o local e não apresentou notificação de vazamento no aterro. Ainda de acordo com a nota, diariamente é feito o recolhimento, transporte e tratamento do chorume, produzido no local, até a estação de tratamento do município de Canoas.

Mas segundo a Fepam, pelo menos nove itens da licença ambiental foram descumpridos. A assessoria de comunicação da fundação informou que o aterro recebeu três autos de infração por operação inadequada, lançamento de chorume e operação sem o devido licenciamento. Na última, no dia 19 de julho, a vistoria resultou em um auto de infração com multa de mais de R$ 56 mil.

O promotor Maurício Sanchotene de Aguiar, Sapucaia do Sul, informou que esteve junto com a Fepam na última vistoria, e que um inquérito civil sobre essa situação já foi aberto.

“Enviei as informações para a análise técnica do Ministério Público, ao receber o resultado pretendo responsabilizar civil e criminalmente os envolvidos”, diz o promotor.

O doutor em ecologia, biólogo e bioquímico Jackson Müller considera a situação grave. “Num contexto metropolitano, inaceitável, justamente pela proximidade dos recursos hídricos, dos usos de recursos hídricos da Região Metropolitana para abastecimento público. Então se agrava a oferta de poluição que depois retorna para as nossas torneiras”.

Ele salienta ainda que, na medida que atinge o recurso hídrico, a carga de poluição também causa contaminação química e metais pesados. “Mas vai levar bactérias provenientes do próprio processo de decomposição do lixo o que agrava os riscos de saúde pública e do meio ambiente”.

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