Servidores da prefeitura de Porto Alegre entram em greve

FONTE: O SUL

Os servidores da prefeitura de Porto Alegre entraram em greve, a partir desta segunda-feira (18), em protesto contra os projetos do Executivo municipal para cortar despesas. Segundo a categoria, que reivindica reajuste salarial de 6,85%, as propostas, enviadas para análise da Câmara de Vereadores, “atacam os direitos e a carreira dos servidores”.

Na manhã de segunda, os municipários realizam um ato no Paço Municipal seguido de uma caminhada até a Câmara, de acordo com informações do Simpa (Sindicato dos Municipários de Porto Alegre). A categoria quer pressionar os vereadores a votarem contra os projetos da prefeitura. No fim da tarde, ocorre uma assembleia dos servidores na Casa do Gaúcho. Nesta terça-feira (19), às 9h, está previsto um ato em frente ao HPS (Hospital de Pronto Socorro), com caminhada até a prefeitura.

Segundo o Simpa, a paralisação dos municipários é “uma resposta da categoria à falta de respeito e de diálogo de Marchezan com o funcionalismo, contra a aprovação dos projetos, contra a falta de reajuste – desde o ano passado, o prefeito não concede a reposição salarial aos servidores e já sinalizou que não dará neste ano apesar de obrigatório por lei – e contra os parcelamentos salariais, inclusive do 13º”.

Os projetos do Executivo são focados em redução de despesas, por meio de alterações no regime de trabalho e reestruturação dos benefícios dos funcionários públicos, além da instituição do Regime de Previdência Complementar no município. No dia 6 deste mês, o plenário da Câmara rejeitou, por 21 votos a 13, relatório aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) contrário à tramitação das propostas em regime de urgência. Os projetos estão na pauta da Casa desta semana.

Conforme o Simpa, na semana passada, durante a reunião de líderes de bancadas da Câmara, o prefeito Nelson Marchezan Júnior recuou na priorização dos projetos que afetam a carreira dos servidores e priorizou votar as propostas que versam sobre arrecadação do ISS, Cadin, Fundos Municipais, reconhecimento da dívida, PPPs e IPTU.

Crise

Marchezan ressaltou que o déficit nas contas da prefeitura de Porto Alegre é histórico e vem se repetindo há anos. De acordo com ele, o problema, apesar de existente, não era discutido antes da sua gestão nem foi debatido na campanha eleitoral. O prefeito disse que os governos estadual e federal não têm responsabilidade em relação a essa situação. “A culpa é nossa”, declarou, referindo-se ao município. A estimativa é de um déficit de mais de R$ 700 milhões nos cofres municipais em 2018.

Conforme Marchezan, se todas as propostas da prefeitura forem aprovadas na Câmara, até 2020 todos os servidores municipais serão pagos em dia e, no próximo ano, os porto-alegrenses já notarão a melhora nos serviços públicos na Capital.

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