Bolsa brasileira ainda está longe de uma bolha, dizem economistas

FONTE: O SUL
Em menos de quatro anos, a Bolsa de Valores brasileira praticamente dobrou de tamanho e se aproximou dos 120 mil pontos – isso enquanto a economia do País patinava e insistia em crescer modestos 1% ao ano.

No mesmo período, o número de pequenos investidores com ações cresceu 200%, mesmo com o desemprego em taxas ainda elevadas, limitando a capacidade de poupança dos brasileiros.

Esses dados eram conhecidos pelo mercado. Mas, na semana passada, um dos mais respeitados gestores de fundos do País, Luis Stuhlberger, da Verde Asset Management, afirmou que há um “efeito bolha na Bolsa”.

Ele foi seguido pelo presidente do Santander, Sérgio Rial: “Não existe capitalismo sem capital na mão de brasileiros, mas é preciso mudar a educação para pessoas terem noção de risco e não criarmos bolhas”.

Eles ficaram, porém, praticamente sozinhos no lado pessimista do debate. Economistas e gestores, nos últimos dias, discordaram de que haja uma bolha no mercado, ainda que alertem para a dificuldade de vê-la antes que estoure, segundo informações do jornal Folha de S.Paulo.

Na definição clássica, a bolha acontece quando um ativo, ou um conjunto de ativos, estão com um preço muito elevado, descolado do que seria seu valor real, o que geralmente acontece após longos períodos de valorização.

A ida dos “órfãos do CDI”, como Stuhlberger chamou os investidores de renda fixa brasileiros, para o mercado de ações estaria inflando as cotações. De 2018 a 2019, o número de pessoas físicas na Bolsa alcançou 1,7 milhão. Como os papéis disponíveis no mercado não cresceram na mesma proporção, o preço se eleva.

A preocupação está no efeito manada: brasileiros estão acostumados a investir em renda fixa, as oscilações do mercado, sujeito ao humor de investidores e fatores externos, podem afugentá-los por completo, o que causaria uma enorme pressão de venda, derrubando cotações.

“O movimento do mercado financeiro é de boiada, mas o movimento atual não é bolha, não estamos nem perto disso”, diz Antonio Lanzana, professor da FEA e copresidente da Fecomercio-SP.

Para George Sales, professor do Ibmec SP, o que poderia gerar um forte distúrbio no mercado é a saída de estrangeiros do Ibovespa, já que eles correspondem a quase metade do volume de negócios. Nesse caso, o aumento de brasileiros na Bolsa funciona como uma diminuição de risco.

“Mesmo subindo absurdamente o número de pessoas físicas na Bolsa, ainda são menos de 1% dos brasileiros. Temos muito espaço para crescer”, acrescenta Salles.

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