Rio de Janeiro - Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do lançamento da campanha Se é público é para todos, organizada pelo Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Juiz da Operação Lava-Jato nega a Lula afastar delegado que o investiga

FONTE: O SUL
O juiz Luiz Antonio Bonat, da 13ª Vara Federal de Curitiba, negou ao ex-presidente Lula um pedido de suspeição do delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace, que investiga o petista na Operação Lava-Jato do Paraná. A defesa havia entrado com três requerimentos para afastar o delegado das apurações. “Rejeito o pedido de suspeição do delegado de Polícia Federal Filipe Hille Pace”, afirmou Bonat. As informações são do jornal Estado de S. Paulo.

Lula cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão desde 7 de abril do ano passado. O petista foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso triplex.

O ex-presidente relatou ao magistrado que Filipe Hille Pace ‘apontou Luiz Inácio Lula da Silva como sendo o suposto detentor do codinome ‘amigo’, em uma das planilhas supostamente destinada a controle de propinas pela Odebrecht’. Segundo a defesa do petista, o delegado citou o nome de Lula ‘muito embora ele nem mesmo constasse como investigado naquele apuratório’.

Os advogados de Lula informaram a Bonat que entraram com uma ‘ação de reparação de danos contra a aludida autoridade policial, ainda pendente de julgamento pelo Tribunal de Justiça de São Paulo’. A defesa argumentou ao juiz ‘que a existência dessa ação cível inviabiliza a manutenção do delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace nas investigações contra o ex-presidente, por violação à legalidade à impessoalidade’.

O delegado apresentou manifestação ao juiz da Lava-Jato. Filipe Hille Pace afirmou que ‘que não há fundamento legal ao pleito da defesa e que a causa da suspeição teria sido criada pela própria’.

“Este delegado não é inimigo de Luiz Inácio Lula da Silva e/ou de seus advogados, tampouco possui interesse no indiciamento, arquivamento de investigação, oferecimento de denúncia, condenação ou absolvição de Luiz Inácio Lula da Silva. Este delegado, nos limites de suas atribuições legais e constitucionais, busca apenas apurar a verdade dos fatos, em tese, criminosos para, assim, propiciar ao titular da ação penal quadro fático-probatório suficiente para formação da opinio delicti”, registrou Filipe Hille Pace.

Na decisão, Bonat destacou que, ‘durante a fase de inquérito, cabe à autoridade policial reconhecer a sua própria suspeição, não havendo previsão legal para que o Juízo a reconheça’.

“Importante destacar, que na resposta apresentada pelo Excepto fica delineada a inexistência de motivo a fundamentar a eventual suspeição”, apontou o magistrado. “Não é de ser acatado o pedido formulado para reconhecimento de suspeição da autoridade policial.”

Confusão durante atos em São Paulo

Dois grupos de manifestantes, um pedindo que o ex-presidente Lula seja solto e outro em apoio à Operação Lava-Jato, fecharam a Avenida Paulista, em São Paulo, na tarde de domingo (7). Houve confusão entre os participantes quando os dois grupos se encontraram. Segundo a rádio CBN, integrantes do grupo que gritava “Lula livre” foram agredidos ao passar pela área do Masp (Museu de Arte de São Paulo), onde estava um caminhão de som de manifestantes que faziam ato a favor da Lava-Jato.

Imagens mostram o momento em que dois homens agrediram fisicamente uma apoiadora de Lula. Segundo o repórter Chico Prado, da CBN, a mulher, que estava com um grupo de umas dez pessoas, passou gritando palavras de ordem a favor de Lula e contra o presidente Jair Bolsonaro. Os manifestantes pró-Lava-Jato que estavam no alto do caminhão de som, em frente ao Masp, começaram a chamar a PM, que foi aplaudida ao chegar. Os policiais liberaram os dois homens e retiraram a mulher do local.

Na sequência, um outro homem, que também se manifestava a favor de Lula, foi agredido com empurrões e também foi afastado pelos PMs. Parte do grupo também tentou impedir o trabalho de jornalistas que estavam no local.

Segundo a Polícia Militar, a Avenida Paulista teve quatro pontos de protestos, sendo que três eram atos em favor da Lava-Jato – em frente ao Masp, na esquina com a rua Pamplona e próximo à av. Brigadeiro Luiz Antonio. A corporação informou que não vai divulgar estimativa de públicos das manifestações. As organizações dos eventos também não divulgaram estimativa de público.

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