O coronavírus já infectou quase 250 mil gaúchos. Casos fatais chegam a 5.805 no Estado

FONTE: O SUL
A mais recente atualização da estatística oficial da pandemia de coronavírus no Rio Grande do Sul acrescentou, nesta segunda-feira (2), 955 novos testes positivos e uma morte provocada pela doença. Com isso, o contingente de infectados gaúchos desde março chegou a 249.437, incluindo 232.855 recuperados (93,3% do total) e 5.805 desfechos fatais (2,3%).

De acordo com o balanço apresentado pela SES (Secretaria Estadual da Saúde), o único óbito da lista teve como vítima uma mulher de 87 anos e que residia em Alegrete – os idosos permanecem como o segmento etário mais vulnerável à infecção, no que se refere à letalidade.

No que se refere à abrangência geográfica, vale lembrar que, desde o final da semana passada, a Covid já atinge a totalidade dos 497 municípios gaúchos.

Atendimento odontológico

Uma pesquisa realizada pela UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e Univates (Universidade do Vale do Taquari) apontou a redução de 89% no total de atendimentos odontológicos das crianças brasileiras desde março, primeiro mês da pandemia de coronavírus no Rio Grande do Sul.

Esse déficit, que teve o seu ápice no período de contágio exponencial (abril e maio), teve a Região Sul como a mais atingida – a Sudeste aparece no topo do levantamento. O parâmetro são os serviços prestados no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde).

“O objetivo da pesquisa foi estimar o impacto da pandemia nos procedimentos de odontopediatria realizados na saúde pública”, ressalta a UFPel. “Os reflexos da redução devem ser sentidos futuramente com a sobrecarga nos serviços odontológicos.”

Já na comparação com os mesmos dois meses em 2019, os procedimentos pediátricos realizados no serviço público de saúde apresentaram uma redução ainda maior: 96%.

Metodologia comparativa

O estudo retrospectivo utilizou dados de todos os atendimentos odontológicos realizados pelo SUS em 99,9% dos municípios brasileiros. De acordo com o professor Luiz Alexandre Chisini, da Univates, foram utilizados dados longitudinais dos meses de janeiro de 2019 a maio de 2020 do Sistema de Informações do Ministério da Saúde e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística):

“Criamos uma série histórica dos procedimentos de odontopediatria desse período à nível municipal. Para podermos fazer uma comparação de municípios de diferentes portes populacionais, calculamos a taxa de procedimentos, ou seja, quantos procedimentos foram realizados a cada 10 mil habitantes em cada um dos 5.564 municípios com dados de saúde bucal. Assim, obtivemos uma taxa de procedimentos para cada município”.

A pesquisa estimou o impacto de duas formas diferentes. A primeira foi comparando a mudança nas taxas dos procedimentos durante todo o período e a segunda, comparando os meses de 2020 com os respectivos meses de 2019. A segunda estimativa considera um período menor, porém, evita que a sazonalidade, variações que ocorrem naturalmente durante os meses do ano, por exemplo, no período de férias, interfira nas estimativas.

Impacto negativo

Ainda conforme Chisini, o principal resultado do estudo é que a pandemia teve forte impacto negativo na população pediátrica que realiza tratamentos odontológicos no SUS, especialmente quando a pandemia começou seu crescimento exponencial em abril:

“A interrupção repentina e contínua do atendimento odontológico pode aumentar a demanda já sobrecarregada e sobrecarregar ainda mais os serviços num futuro próximo”.

O pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação dsa UFPel, Flávio Demarco, que também atuou na pesquisa, alerta que os reflexos das reduções de atendimentos durante a pandemia provavelmente afetarão ainda mais as crianças já socialmente vulneráveis e excluídas, aumentando as disparidades já observadas em relação à saúde bucal no País.

Desta forma, os pesquisadores fazem um alerta aos gestores para a necessidade de fomentar políticas públicas que visem a equidade.

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