O Ministério da Justiça sob o comando de Sérgio Moro terá como foco principal o combate à lavagem de dinheiro para asfixiar o crime organizado

FONTE: O SUL

O Ministério da Justiça sob o comando de Sérgio Moro terá como foco principal o combate ao crime de lavagem de dinheiro, com o objetivo de asfixiar as organizações criminosas. Nos bastidores, o termo utilizado pela equipe montada pelo ex-juiz é “descapitalização” das facções e também de envolvidos em corrupção.

Nas reuniões fechadas do grupo de transição de governo, em Brasília, definiu-se que a prioridade da gestão de Moro será mirar o patrimônio dos criminosos, uma estratégia que deu certo na operação Lava-Jato e deve ser aumentada e reproduzida na guerra contra traficantes, por exemplo.

Não à toa, Moro escolheu para os mais importantes cargos ligados ao Ministério da Justiça pessoas com experiência nessa área de atuação. Entre eles o atual superintendente da PF (Polícia Federal) no Paraná, Maurício Valeixo, anunciado na terça-feira (20) por Moro para ser o novo diretor-geral da Polícia Federal, em substituição a Rogerio Galloro.

O outro nome é o da delegada Érika Marena, que comandará o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional). Ambos já receberam de Moro a missão de liderar, em suas áreas, esse modelo de trabalho a partir de 2019. A dupla é de extrema confiança do futuro ministro do governo de Jair Bolsonaro.

“Ele [Valeixo] tem a missão de fortalecer a Polícia Federal e que a Polícia Federal possa direcionar suas investigações principalmente com foco em corrupção e crime organizado. É um grande desafio, são problemas sérios, mas ele é uma pessoa plenamente capacitada”, afirmou o ex-juiz federal, em Brasília.

Valeixo já foi o número três da hierarquia geral do órgão, diretor de Combate ao Crime Organizado, na gestão de Leandro Daiello (2015-17). O futuro ministro elogiou Marena, afirmando que ela assumirá uma área estratégica da pasta que ele pretende fortalecer. “Não há ninguém melhor do que ela”, disse.

Marena atuou na Lava-Jato e no caso Banestado, também com a participação de Moro. Recentemente, ela foi criticada na investigação de desvios de dinheiro na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). O reitor da UFSC se matou em um shopping após ter sido preso temporariamente. Segundo Moro, a delegada “talvez seja a maior especialista no Brasil em cooperação jurídica internacional”.

Hoje, o DRCI tem problemas para conseguir resultados mais efetivos por causa da legislação vigente. O novo ministro deve se debruçar em propostas para alteração de leis que deem maior liberdade ao órgão, considerado chave para o combate ao crime de lavagem de dinheiro.

Os dois nomes anunciados por Moro atuaram com ele na condução da Lava-Jato. “Eu seria um tolo se não aproveitasse pessoas que trabalharam comigo, especialmente no âmbito da Lava-Jato, porque já provaram integridade e eficiência”, disse.

O ex-juiz também foi questionado se levará o delegado Márcio Anselmo, um dos precursores da Lava-Jato ao lado de Marena, para o governo Bolsonaro. “É um delegado de profunda qualidade, é possível, mas não tem nada definido ainda”, respondeu.

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