Os Estados Unidos alegaram hipocrisia e deixaram o Conselho de Direitos Humanos da ONU

FONTE O SUL//Os Estados Unidos se retiraram do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) nesta terça-feira (19), acusando o órgão de ser “hipócrita” e ter um “viés anti-Israel”. A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, afirmou que o conselho “não é digno do seu nome”. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

É a primeira vez que um país deixa de forma voluntária o conselho. Os EUA se juntam agora a Irã, Coreia do Norte e Eritreia, os únicos países que se recusam a participar das sessões e deliberações do Conselho.

“Neste ano, como nos anteriores, o conselho de direitos humanos aprovou cinco resoluções contra Israel – mais do que as aprovadas contra Coreia do Norte, Irã e Síria juntos”, disse Haley.

“Esse foco desproporcional e hostilidade contra Israel é a prova clara de que a motivação do conselho é política, e não relacionada a direitos humanos. Se o conselho vai atacar países que protegem direitos humanos, e proteger países que os violam, então os EUA não deveriam dar a ele nenhuma credibilidade.”

Os EUA há tempos criticavam o conselho por ser “seletivo”, por aprovar um número desproporcionalmente grande de resoluções contra Israel e abrigar notórios violadores de direitos humanos como Venezuela e Líbia.

Entre 2009 (quando o país ingressou no órgão) e 2018, o conselho aprovou 53 resoluções contra Israel, 21 contra a Síria e dez contra a Coreia do Norte, mas nenhuma contra Venezuela ou China.

O conselho é composto por 47 membros que têm mandatos de três anos e se reúnem três vezes por ano. Os EUA estavam no meio de seu mandato.

Haley disse que os EUA tentaram reformar o conselho baseado em Genebra, sem sucesso. Segundo ela, países aliados não tiveram a “coragem de desafiar o status quo”. Além disso, ela afirmou que Rússia, China, Cuba e Irã tentaram minar as tentativas de reformas.

Ela disse ainda que gostaria de “deixar bem claro” que a medida não significa um recuo dos EUA em seus compromissos com os direitos humanos.

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou que a decisão de sair do conselho é “lamentável”.

Entidades de defesa dos direitos humanos também criticaram. Para Juana Kweitel, diretora-executiva da Conectas Direitos Humanos, o anúncio não surpreende. “É lamentável, mas coerente com a gestão Trump”, disse.

Segundo ela, os EUA conseguiriam lutar por mudanças na chamada seletividade do conselho se permanecessem dentro dele, e não fora.

“Esse governo só se importa em defender Israel no conselho”, disse ao jornal The New York Times John Sifton, diretor da Human Rights Watch.

Os EUA também queriam mudar o chamado item 7, que determinou, desde a criação do conselho, que as supostas violações cometidas por Israel nos territórios palestinos seriam examinadas em todas as sessões, algo que não ocorre com nenhuma outra questão.

Em maio, o órgão votou a favor da investigação das mortes de militantes palestinos, no começo daquele mês, pelo Exército de Israel, o qual acusou de uso excessivo da força.

A decisão coincide com as críticas aos Estados Unidos pela opção de separar famílias que tentam entrar em território americano pela fronteira com o México. Na segunda-feira (18), o alto comissário da ONU para direitos humanos, Zeid Ra’ad al-Hussein, pediu que Washington interrompesse sua política “inadmissível”.

Nesta terça-feira, após o anúncio, al-Hussein afirmou que a saída era uma “decepção, embora não fosse surpresa”. Segundo ele, “dado o estado dos direitos humanos no mundo hoje, os Estados Unidos deveriam se envolver mais, e não se afastar”.

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