Seis segredos do hexacampeonato no Enart do CTG Rancho da Saudade

FONTE: DIÁRIO GAÚCHO

O CTG Rancho da Saudade, de Cachoeirinha, tem apenas 32 anos. Diante de outras entidades do Estado, que chegam a ser centenárias, é uma trajetória ainda curta. Mas de sucesso. Em 2018, o Rancho levou o troféu do Enart, evento de mais destaque no calendário tradicionalista, pela sexta vez na categoria Danças Tradicionais Força A. As outras conquistas foram em 2004, 2007, 2011, 2012 e 2014.

Para chegar até a vitória, porém, foram meses de trabalho. O Piquetchê ouviu três integrantes do grupo, Gustavo Fernandes, 29 anos, militar e coordenador da invernada adulta, Emerson Ribeiro, 43 anos, instrutor de danças tradicionais, e Daiane Oliveira, 32 anos, empresária e também coordenadora, para tentar desvendar os segredos do hexacampeonato.

O trabalho das invernadas artísticas do Rancho da Saudade começa nas categorias de base. O CTG possui invernadas mirim e juvenil ativas, cujos integrantes acabam sendo aproveitados nos grupos de elite no futuro.

– Os resultados da invernada adulta no Enart são um reflexo deste processo. Dos 38 dançarinos da adulta, 25 passaram pela nossa categoria de base – diz Emerson.

Quem dá aulas de dança na mirim e na juvenil são ex-integrantes da invernada adulta. Muitos deles foram campeões do Enart em outros anos.

– Eles servem de inspiração. É um trabalho de continuidade – afirma Daiane.

Prioridade

O Rancho, como muitos CTGs, possui equipes que se dedicam a várias atividades, como provas campeiras e danças de salão. Mas é inegável: as danças tradicionais são o carro-chefe da entidade.

– A gente respira as questões artísticas. Esta é a nossa prioridade – diz Emerson.

Desde bem novos, os dançarinos participam de competições com suas invernadas. Isso dá a eles experiência e maturidade para levar a sério a carga de ensaios e a pressão de um Enart.

Maturidade do grupo

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A idade média dos dançarinos da invernada adulta do Rancho é de 22 anos. Alguns integrantes tem apenas 16. Cerca de dez deles pisavam no tablado do Enart pela primeira vez.

– Nós tínhamos uma equipe bem preparada, mas muito jovem. O grupo mais novo que já havíamos levado a um Enart. Esta, é claro, era uma preocupação nossa – conta Emerson.

Por isso, a entidade apostou na maturidade de seus integrantes – quesito que foi trabalhado intensamente nos meses anteriores à competição.

– Nós tivemos um coach que desenvolveu atividades para que eles trabalhassem a a motivação, aprendessem a controlar a emoção e soubessem quais pontos precisariam melhorar – diz Daiane.

Questões técnicas

Preparados para lidar com quaisquer emoções que surgissem, a invernada apostou forte em sua técnica para impressionar os jurados. O grupo estava pronto para fazer bonito em qualquer uma das 19 danças que estão no sorteio das invernadas – cada uma dança três.

– Nosso sorteio não foi bom, nem sábado nem domingo. A especialidade da invernada são danças com sapateio, e não tiramos nenhuma. Não demonstramos o nosso melhor. Mesmo assim, fizemos tudo certo – afirma Gustavo.

Emerson concorda e complementa:

– Se a dança é de roda, a roda tem que ser perfeita. Se tem uma fila, vamos fazer a melhor fila. Foi isso que fizemos.

Coreografia de entrada e saída

Nas coreografias de entrada e saída do Enart, as invernadas devem explorar um tema. O Rancho da Saudade escolheu a chula.

– O ponto principal para este tema ter funcionado foi a simplicidade. Não era preciso explicar a nossa proposta, as pessoas já sabiam. A chula levantou o ginásio – conta Emerson.

Entre os dançarinos, apenas um deles era chuleador antes do festival. Os demais precisaram de meses de treino.

– Começamos as oficinas em maio, mas não falamos para o grupo que este seria o tema do Enart. Dissemos que era para um festival de folclore que participaremos no ano que vem – diz o instrutor.

Dedicação o ano inteiro

O discurso é o mesmo para qualquer CTG, mas é impossível não falar nisso: a dedicação necessária durante todo o ano para levar um grupo ao Enart. Os ensaios do Rancho, por exemplo, ocorrem nas sextas-feiras (a partir da meia-noite) e aos domingos.

– É preciso ter uma doação. Mesmo assim, não temos muitas faltas nos ensaios. Até porque, se um dançarino falta, ele pode perder seu lugar para outro – diz Gustavo.

Isso sem falar na mensalidade, nos eventos realizados para levantar fundos para as viagens, hospedagem, alimentação, figurino, salário dos músicos…

– É muito trabalho extra palco. E são os próprios dançarinos que trabalham – finaliza Daiane

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