TDAH: traços do transtorno podem ter sido uma vantagem evolutiva

Características comuns ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), como distração ou impulsividade, podem ter sido uma vantagem evolutiva para nossos ancestrais, melhorando suas táticas ao procurar comida. A conclusão é de um estudo publicado recentemente na revista científica Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences.

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento com sintomas que incluem impulsividade, desorganização e dificuldade de concentração. Embora as estimativas de prevalência tenham variado, os diagnósticos – inclusive de adultos – têm aumentado em muitos países, incluindo o Reino Unido e o Brasil.

Agora, os pesquisadores dizem que, embora algumas dessas características tendam a ser vistas de forma negativa, elas podem ter ajudado as pessoas a procurar novos locais para explorar recursos alimentos.

“Se [essas características] fossem verdadeiramente negativas, então você pensaria que, ao longo do tempo evolutivo, elas seriam selecionadas contra. Nossas descobertas são um dado inicial, sugestivo de vantagens em certos contextos de escolha.”, disse o primeiro autor da pesquisa, David Barack, da Universidade da Pensilvânia, ao jornal britânico The Guardian.

Barack e colegas analisaram dados de 457 adultos que completaram um jogo online de coleta de alimentos no qual tiveram que coletar o máximo de frutas possível em oito minutos. O número de frutas obtidas de cada arbusto diminuiu com o número de vezes que foi forrageado.

Durante a tarefa, os participantes podiam continuar a recolher as frutas dos arbustos no seu local original ou mudar-se para um novo local – embora isso lhes custasse tempo. A equipe também examinou os participantes quanto a sintomas semelhantes aos do TDAH – embora enfatizem que isso não constituía um diagnóstico – e descobriu que 206 participantes tiveram resultados positivos.

Os resultados mostraram que os participantes com pontuações mais altas na escala de TDAH passavam períodos mais curtos de tempo em cada pedaço de arbusto do que aqueles com pontuações mais baixas. Em outras palavras, eles eram mais propensos a abandonar o local atual e procurar um novo. Esses participantes também ganharam mais pontos no jogo do que aqueles com pontuações mais baixas na escala de TDAH.

De acordo com os pesquisadores, esses resultados estão de acordo com outros trabalhos que sugeriam que populações com estilos de vida nômades que se beneficiaram da exploração tendiam a ter genes associados ao TDAH. Por outro lado, o novo estudo tem limitações, incluindo o fato de os sintomas semelhantes aos do TDAH terem sido baseados em autorrelatos.

FONTE: O SUL

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