Vereador de Cachoeirinha é preso em operação contra facção envolvida em homicídios, tráfico de drogas e jogos de azar

FONTE; O SUL

Duas pessoas foram presas nesta terça-feira (03) durante operação deflagrada pela Polícia Civil contra uma facção envolvida em tráfico de drogas, crimes violentos e jogos de azar em Porto Alegre e Região Metropolitana.

A força-tarefa, batizada de “Cidade de Deus”, cumpriu 82 ordens judiciais na Capital e em Gravataí, Cachoeirinha, Esteio, Guaíba, Portão, Tramandaí e Pelotas.

Entre os presos está um vereador de Cachoeirinha. Ele é irmão de um dos líderes da quadrilha, tendo recebido mesadas dos criminosos ao longo dos anos. Além disso, o político usava a sua influência na organização criminosa contra possíveis rivais, especialmente durante períodos eleitorais. O próprio parlamentar tem antecedentes criminais, inclusive por introduzir celulares no sistema carcerário.

A investigação teve início em julho de 2020, a partir de uma colaboração premiada que apontou a autoria de 31 homicídios praticados pela mesma organização criminosa. Os homicídios ocorreram nas cidades de Gravataí, Cachoeirinha, Porto Alegre, Canoas, Sapucaia do Sul, Guaíba, Eldorado e Taquara.

Foram indicados 79 membros de uma das maiores organizações criminosas do Estado, o que resultou na instauração de Inquérito Policial específico para apuração da estrutura criminosa. Deste trabalho investigativo restou comprovado que a organização criminosa em análise contava com divisão hierárquica precisamente definida e com separação das atividades em núcleos distintos e interligados.

Um núcleo de crimes violentos e tráfico de drogas, em que os executores dos homicídios recebiam como “prêmio” pontos de venda de drogas para administrarem, assim como adquiriam facilidades para aquisição de armas e drogas que lhes rendiam maior lucro e poder. A violência alimentava o tráfico de drogas e os executores mais audaciosos eram beneficiados pela facção com os pontos mais rentáveis.

Outro núcleo atuava em jogos de azar (bingos e máquinas de caça-níquel), atividade que rendia à organização criminosa tanto ou mais lucro que o tráfico de drogas, com a vantagem de que a administração é menos violenta, não trazendo perdas com ataques de grupos inimigos ou apreensão de drogas e armas pela polícia.

A atuação em contravenções ligadas aos jogos de azar tem como área de abrangência o Sul do Estado, Região Metropolitana, Capital e Litoral. Antigos chefes dos jogos de azar foram obrigados a dividir lucros com a facção ou tiveram seus pontos tomados com uso de violência e ameaças.

Ainda foi identificado dentro da organização criminosa um núcleo político. Nesse sentido, a facção tinha como plano a infiltração de membros na esfera política, com intuito de defender os interesses da organização perante o Poder Público.

O plano teve início com a eleição de um criminoso para cargo do legislativo de um município da região metropolitana na eleição de 2020. A campanha foi caracterizada por ameaças e violência contra opositores, além de pressão contínua e troca de favores com eleitores de comunidades carentes da cidade.

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