Pandemia do coronavírus põe Chile sob ameaça de nova convulsão social

FONTE: O SUL

O pico da pandemia do novo coronavírus trouxe ao Chile a preocupante cifra de cinco mil novos casos diários e protestos violentos na periferia da capital Santiago, onde a população está em quarentena.

Fez o presidente Sebastián Piñera reviver o retorno dos distúrbios sociais do ano passado e promulgar uma reforma constitucional para reduzir os salários de autoridades do governo – entre as quais ele próprio, ministros e deputados.

Nos confrontos com a polícia que desataram desde a semana passada em bairros pobres, como El Bosque e La Pintana, os manifestantes violaram a quarentena e diziam preferir morrer do coronavírus a morrer de fome.

No comando do país mais desenvolvido da América do Sul, Piñera vê a pandemia expor novamente as desigualdades e o serviço público precário, que em 2019 levaram milhares de pessoas às ruas durante três meses.

Agora, o presidente conservador apela a um acordo nacional com a oposição para conter os efeitos da Covid-19. Distribuiu 2,5 milhões de cestas básicas e gasta o equivalente a 7% do PIB (Produto Interno Bruto) em dois pacotes de incentivos a famílias atingidas pelo confinamento. Cerca de 500 mil chilenos perderam empregos ou tiveram suas jornadas de trabalho reduzidas.

Piñera enfrenta sérios problemas para controlar a pandemia, embora seu nível de aprovação – de 27% – seja o maior desde outubro de 2019. Ele resistiu a decretar a quarentena nacional, optou por isolamentos rotativos, a pretexto de conter danos econômicos. Mas foi obrigado a decretar lockdown em Santiago, principal foco do contágio, onde vive metade da população.

Prefeitos de bairros periféricos acusam o presidente de improvisar soluções para a crise. “A pandemia sanitária passar e vai dar forma à pandemia social”, disse Sadi Melo, que administra a comunidade de El Bosque, ao sul de Santiago.

A crise epidemiológica, contudo, não dá sinais de passar. Ao contrário. O ritmo de crescimento de novos casos diários acelerou. O Chile registra 74 mil doentes e 760 mortes.

O sistema de saúde de Santiago atingiu 95% de sua capacidade, está “estressado e sobrecarregado”, de acordo com o presidente, obrigando a remoção de doentes para outras regiões do país. Cerca de 2.400 profissionais de saúde foram contaminados, e o governo precisou contratar cerca de 8 mil para a linha de frente da crise.

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